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Blog à solta

Textos de um estudante preso em Coimbra com a ambição de ser crítico de música

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A decadência do Youtube

"Youtube" é provavelmente das palavras, ou marcas, mais conhecidas quando se fala da Internet como um todo. Ao longo de mais de 10 anos, a plataforma popularizou uma nova forma de expressão que, até certo ponto, estava a bater muito certo.
Se o Youtube não foi a maior (r)evolução na forma de expressão de cada um de nós desde a criação dos blogs, na segunda metade dos anos 90, estará certamente entre os destaques. Da mesma forma que o Blogger deu início à era dos blogs, o Youtube deu início à era dos vídeos.

De início começou como algo bastante inocente. Vídeos de gatos, cães e toda uma panóplia de situações que serviriam mais tarde para invadir a televisão com programas como "Olhó Vídeo" ou "Tá a Gravar". Situações que eram genuinamente engraçadas no meio da sua imprevisibilidade e inocência. Situações que, acidentalmente, se tornavam virais. Não eram planeadas de forma a viralizarem mas quis o destino que se espalhassem de forma grandiosa.
Anos mais tarde, com a ascensão de outras redes sociais, especialmente o Facebook, que também começou a tentar a sua sorte como competidor do Youtube, a situação mudou de forma drástica.

 

Façamos aqui um pequeno aparte. O Facebook, ao contrário do Youtube, não entrou em cena com o objetivo de dar voz à criatividade dos artistas e criadores de conteúdo. Entrou em cena simplesmente para tentar gerar mais dólares para a empresa. O Facebook não paga aos criadores de conteúdo pelo seu trabalho, pelo contrário, incentiva os criadores de conteúdo a pagarem para ganharem mais visibilidade na rede social.
Tendo em conta isto, a abordagem do Facebook para chegar ao maior número de pessoas possível foi disseminando conteúdo vago, intencionalmente feito para ser massificado, sem qualquer objetivo ou respeito pela criatividade. Conteúdo que apelaria à audiência mais jovem, que ainda hoje representa uma parcela importante da rede social e que pouco se importa com a genuinidade e autenticidade. A guerra pelo posto mais relevante no mercado dos vídeos ganhou proporções grandes o suficiente para que até material simplesmente nojento - isto para evitar palavras mais fortes - encontrasse razão de existência.

 

Efeitos colaterais no Youtube

Sejamos sinceros, a estratégia do Facebook foi um sucesso no que toca a atrair mais números e a Google estava consciente disso. O Youtube começou a ser encarado pela própria Google como algo que deveria adotar a mesma estratégia que o Facebook, uma vez que mais visualizações nos vídeos trariam mais visualizações e cliques nos próprios anúncios dos mesmos, o que geraria mais lucro no papel.
A estratégia não foi de todo mal pensada e teria a sua lógica. Isto até se chegar ao ponto em que nos deparamos com um enorme problema que está a arruinar completamente a plataforma - a massificação do lixo e futilidade.

O Youtube deixou de ser uma plataforma de partilha de paixões, conteúdos originais e, de vez em quando, informativos para se tornar na espécie de favela que o Facebook já era há muito tempo. Dificilmente se encontram criadores de conteúdo originais a ganharem o mérito e reconhecimento merecidos, especialmente no cenário nacional. Em contrapartida desafios sem nexo, com o simples objetivo de gerar cliques são promovidos a todo o custo. Parece que a plataforma merece uma salva de palmas pela promoção do ridículo, ou então palmadas nas costas para que não decaia ainda mais.

Para piorar ainda mais a situação, neste momento assiste-se à situação calamitosa em que até os próprios anunciantes, principal fonte de renda do Youtube e da Google, estão a desistir da plataforma uma vez que esta não promove conteúdo que seja adequado para o que estes pretendem. Ninguém quer colocar anúncios que poderão estar associados a um tipo de conteúdo que irá manchar a imagem da própria empresa.

O Youtube esta assim tão mau para a categoria Vlog Entretenimento, da série de prémios "Blogs do Ano", estar a nomear uma, ou duas, das personalidades mais forçadas e sem criatividade que alguma vez se viu no cenário nacional? Será assim tão difícil dar a voz aos principiantes que até poderão produzir bom conteúdo e que lutam diariamente para no final receberem apenas migalhas?