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Blog à solta

Textos de um estudante preso em Coimbra com a ambição de ser crítico de música

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Estragos da brigada "anti-clickbait" e não só...

Estava eu a ver o meu Facebook quando vejo o título de uma notícia que, tal como qualquer bom título, me prendeu a atenção e me deixou curioso em clicar no link para saber do que se tratava.
Para clarificar melhor a situação, era uma notícia sobre qual seria o novo vídeo do Youtube com mais visualizações da História.

Obviamente que, como qualquer bom clickbait, o novo "rei do Youtube" não foi revelado de mão beijada, o objetivo era fazer com que o leitor clicasse no link para descobrir qual vídeo se tratava. Mais visitas significa maior projeção, trazem mais anunciantes - que por sua vez pagam para colocar os anúncios nesse tal site ou plataforma - que anunciam o seu produto, levando lucro tanto para o próprio site como para o anunciante.

Posto isto, é aqui que a brigada anti-clickbait arruína quase por completo este esquema ao publicar um comentário com "o excerto chave" do próprio artigo, levando a menos acessos e menos visualizações da publicação em si. O problema, no entanto, vai mais longe que a existência desta "brigada" em si.

 

Anunciantes versus AdBlockers mais brigada anti-clickbait

 Creio que, regra geral, os manifestantes anti-clickbait não tenham más intenções ao desmistificar algo que até poderá não ter conteúdo nenhum e que se esconde atrás de um título chamativo. Afinal de contas, ninguém gosta de ser iludido.

A contínua e quase constante forma como os criadores de conteúdo tentaram pescar visualizações à custa de títulos, thumbnails ou qualquer outro elemento chamativo - muitas vezes levando a uma quase deceção tendo em conta o conteúdo - chegaram, ao longo dos anos, ao ponto máximo em que se pode adjetivar como desesperante. Tudo é motivo para iludir o público a consumir o nosso conteúdo, de forma a gerar mais receitas através de anúncios.
Este foi, provavelmente, o ponto de partida para a formação da "brigada anti-clickbait". Acontece que não é só este movimento que coloca em causa a rentabilidade dos websites, os próprios anúncios muitas vezes acabam por não funcionar como catalisador ao dinheiro.
Anúncios obstrutivos, que retardam o carregamento das páginas, levam a que os leitores usem bloqueadores deste tipo de conteúdo. Mais anúncios bloqueados significa menos exposição de um produto ou serviço, consequentemente menores receitas, resultando em menos investimentos numa determinada plataforma, forçando muitas vezes a situações em que os produtores de conteúdo necessitem cobrar o acesso aos seus produtos. Chegou-se ao ponto em que começam até a existir browsers que oferecem adblockers por predefinição, tudo à custa da má aplicação de anúncios, usados de forma desmedida, que arruínam a experiência dos consumidores. Trágico será?

 

Um pequeno apelo

No final de contas, parece valer a pena fazer um pequeno esforço em não bloquear na totalidade todos os anúncios, principalmente em sites que produzem conteúdo de boa qualidade e que se esforçam ao máximo para o manter acessível de forma gratuita.

Vamos fazer da Internet um lugar melhor? Não sejam forçosamente anti-clickbait e desativem apenas os anúncios realmente obstrutivos, a Google também agradece. Anúncios não têm necessariamente de ser sinónimo de obstáculo, pelo contrário, devem auxiliar-nos a descobrir produtos e serviços que desejamos de facto consumir.