Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Blog à solta

Textos de um estudante preso em Coimbra com a ambição de ser crítico de música

Blog à solta

Textos de um estudante preso em Coimbra com a ambição de ser crítico de música

O drama de entrar no curso errado

Aproveitando que a malta do ensino básico, e secundário presumo, esteja quase a entrar de férias, mas não sem antes passar pelos exames - aqueles malditos exames, fonte de tantos nervos para uns, que matam o seu tempo no estudo, ou simplesmente encarados por outros na desportiva como sendo mais um teste como qualquer outro - decidi escrever um pouco sobre como foi ter de encarar essa fase tão decisiva e pesada e acabar por enveredar em caminhos pelos quais me arrependo, mas não na totalidade.

 

A possível origem do grande problema...

 

Apesar de considerar até hoje o secundário como a melhor fase da minha vida, ou pelo menos uma das melhores, não foi de todo uma viagem fácil. O meu plano inicial, quando acabei o 9º ano, seria seguir uma área que mais tarde me possibilitasse trabalhar em informática ou algo muito semelhante. Acontece que eu nunca fui grande coisa a matemática e isso barrou-me a hipótese de seguir Ciências e Tecnologias no secundário, acabando assim por entrar em Humanidades - acabei por gostar muito mais desta área do que alguma vez imaginei!

No entanto, enquanto estudei no secundário, nunca me passou pela cabeça a hipótese de algum dia entrar sequer na faculdade por diversos motivos. Desde eu achar que seria muito caro, até à parte em que não sabia exatamente do que é que eu realmente gostava dentro das humanidades e que quisesse prosseguir estudos. Para além deste pequeno drama, em que não sabia sequer do que gostava ou não, acrescentaram-se ainda uma série de problemas pessoais e enorme instabilidade emocional que me deixou completamente arrasado no final do secundário.

Neste reboliço todo, acabei por nunca pensar na resposta à pergunta "o que vais fazer a seguir a esta fase de transição?", até ao dia em que realmente não podia adiar mais e tive mesmo de escolher onde haveria de colocar os pés em seguida. A pressão foi imensa e só nessa altura me apercebi do grande erro que cometi ao não pensar nisto com antecedência.

 

O processo de entrada na faculdade

Uma das pouquíssimas áreas das humanidades com que me identificava, e ainda identifico de certa forma, é a comunicação social. A minha ideia inicial era seguir Ciências da Comunicação no Porto, mas a minha média não me ajudou e acabei por não entrar. Assim, na segunda fase inscrevi-me numa série de outros cursos - Ciência da Informação em Coimbra e no Porto, e outros relacionados com marketing em institutos politécnicos. Acabei por entrar em Ciência da Informação em Coimbra, a minha 3º ou 4º opção na altura, uma vez que já não havia mais vagas nos outros cursos

 

Acontece que, ao contrário do que o nome pode sugerir, ciência da informação não tem quase nada a ver com comunicação social em si, e no caso de Coimbra quem não se interessar minimamente por arquivos ou bibliotecas pode arrumar as malas e procurar noutra freguesia. Se eu soubesse o que sei hoje...

 

Por falar em saber, aproveito para abrir um parêntesis e acrescentar o facto de muitas das "exposições" que as escolas organizam, para dar a conhecer os cursos de várias universidades, nada mais servem do que mostrar cursos já mais-que-conhecidos. Cursos pouco conhecidos, como o meu, não ganham quase nenhum protagonismo... Mas isso é outra história, possivelmente para uma outra publicação.

 

No final do primeiro semestre do meu primeiro ano logo me apercebi que não estava no sítio certo, no curso certo mas infelizmente não me foi dada oportunidade de mudar para o que quer que fosse. Só me resta acabar o curso o mais depressa possível e prosseguir com algo que realmente goste.
A faculdade, que deveria ser sinónimo de "libertação", o seguimento de uma paixão, a construção de um futuro, "os melhores anos da tua vida" como muitos pintam, acabou por ser sinónimo de prisão, sufoco e agonia. E Coimbra, pintada por muitos como a cidade "que tem mais encanto", acabou por se mostrar apenas mais uma cidade como todas as outras, excessivamente tradicionalista, sentada de costas para o futuro, em decadência e hetero-normativa. Uma cidade que, por três vezes dei o benefício da dúvida, acabou por se tornar num dos lugares que mais odeio e que nunca mais quero colocar os pés assim que acabar a licenciatura.

 

As lições que se podem tirar disto...

 

É inegável o facto de que, se pudesse, eu teria feito as coisas de forma diferente. Entrar na faculdade acarreta consigo uma enorme responsabilidade. É uma experiência que nos torna mais adultos e desenrascados principalmente quando vamos para um outro lugar que não conhecemos, como foi o meu caso em que cheguei a Coimbra sem conhecer quase nada.

As responsabilidades serão muito maiores, a pressão também será, não é um mar de rosas como muitos pintam, mas quando estudamos aquilo que realmente gostamos tudo se torna mais fácil, caso contrário será apenas mais algo que consumirá a nossa sanidade mental e de pouco servirá em termos profissionais.

 

O maior conselho que dou, estudante do terceiro ano da faculdade, é pensarem muito bem se querem realmente aventurar-se em terrenos que serão verdadeiramente desafiantes - não é preciso um curso na faculdade para construir um futuro. E, caso estejam mesmo decididos a entrar no ensino superior, escolham muito bem o curso. Vejam o plano de estudos de todas as cadeiras, falem com alguém nas redes sociais, peçam ajuda aos vossos professores ou amigos etc. Jamais - volto a repetir, jamais - tomem decisões em cima do joelho e desinformadas, porque as consequências poderão ser devastadoras.

 

Um abreijo e boa sorte a todos!

2 comentários

Comentar post