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Blog à solta

Textos de um estudante preso em Coimbra com a ambição de ser crítico de música

Blog à solta

Textos de um estudante preso em Coimbra com a ambição de ser crítico de música

Porque é que a Internet se tornou tão chata?

Às vezes dou por mim a pensar em como a Internet parecia ser um sítio mais divertido há uns anos, antes dos telemóveis se tornarem nos bichos que são hoje e disputarem o lugar de destaque no que toca o acesso à Internet.

Se é verdade que eles vieram facilitar muito a nossa vida, também acho que vieram torna-la mais aborrecida no meio de tanta preocupação em pensar na pergunta "será que isto vai funcionar bem na versão mobile?".

 

Tudo hoje em dia parece girar em torno do móvel. Qualquer site que se preze tem de ser adaptável, seguir determinados padrões estéticos e níveis funcionais muito "quadrados". Nada contra estes pontos anteriores, mas uma coisa boa geralmente não vem sem um preço. Neste caso, o preço que estamos a pagar é a proliferação de design e funcionalidades cada vez mais repetitivas e não inovadoras ou únicas.
Lembram-se quando os blogs eram a autêntica febre? Quando o Windows Live Messenger era rei supremo ou, mais atrás ainda, quando o ICQ parecia inabalável? Alguma vez repararam num ponto que todas estas ferramentas tinham em comum?

 

 

Para mim a ligação comum entre tudo o que existia na web era o carácter único de casa software ou website - quase todos nós tínhamos o nosso próprio tema visual no Windows Live Messenger, fazíamos questão de tornar a Internet única à nossa maneira com packs de emoticons, scripts que tornavam os sites diferentes, irritantes mas divertidos, algo mais à nossa maneira. Talvez tenha sido por isso que os blogs viriam a ser a febre quando a Web 2.0 se tornou uma realidade. A web 2.0 veio trazer ao comum mortal a possibilidade de ter voz na Internet, ao invés de apenas empresas e serviços como acontecia anteriormente. A web deixou de ser um lugar excessivamente estático.
Hoje em dia vemos a nossa capacidade criativa ser reduzida ao essencial, em prol de uma suposta melhor funcionalidade para as diferentes formas e tamanhos que os computadores adquiriram. O design da maioria dos sites tornou-se numa fotocópia de algo que havia sido criado antes. Coloca-se demasiado foco nas imagens (e nos enormes anúncios) quando navegamos na Internet, e nas plataformas de comunicação a regra da fotocópia parece ser ainda mais grave - quem nunca deu por si a comparar o Facebook, Instagram, Skype e ICQ com o Snapchat, de tão chapada a semelhança de todos a um nível que chega a ser aborrecido?

 

 

Levem de novo o Skype como um exemplo - há possibilidade de termos o nosso próprio pack de emoticons exclusivos como o Windows Live Messenger nos possibilitava? Não. Pelo menos não de forma predefinida. Há a possibilidade de enviar snaps, tal como "todas" as aplicações o fazem? Sim.
Outro exemplo - haverá plataformas de blogging que ainda apostem em temas (estética visual) mais "pessoais" em vez de se preocuparem obsessivamente com o modernismo minimalista? Para além do SAPO, e talvez do Blogger, não temos muita escolha...

 

A Internet esta neste preciso momento numa crise criativa grave, a sensação que tenho é que estamos, de forma lenta, a voltar aos tempos rígidos da Web 1.0 (lá no início dos anos 90).

Não precisamos de mais cópias do Snapchat, de anúncios obstrutivos ou minimalismo excessivo, precisamos de um lugar pensado para o ser humano, em que cada um é único e deve ser livre de demonstrá-lo na sua "pegada digital" ao invés de ser tratado quase como uma máquina.