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Blog à solta

Textos de um estudante preso em Coimbra com a ambição de ser crítico de música

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Salvem o Windows Mobile

Este é um texto de alguém que, por mais esperança que tenha, sente-se cada vez mais posto de lado pela Microsoft, que não parece querer dar uma para a caixa quando o assunto é o Windows Mobile. Vamos por partes...

 

O cenário negro...

Digamos que a Microsoft, desde o lançamento do iPhone há cerca de 10 anos, subestimou aquele que poderia vir a ser uma grande parcela do seu mercado e re-entrou tarde demais à séria no setor.
"Não vai ser o iPhone da Apple que vai abanar a liderança do Windows nos telemóveis!", poderiam pensar assim, e com certeza o faziam na altura. A presença forte da Microsoft no mercado móvel fez com que esta entrasse num estado latente e incapaz de tomar alguma ação frente a novas "ameaças" - um grande erro de qualquer empresa. Jamais se deve tomar o mercado como garantido e, durante a fase 2007/2012, a cegueira desta grande empresa custou-lhe a liderança em, pelo menos, duas grandes divisões - o mobile e o mercado dos browsers. E olhem que as duas realidades cruzam-se.

Com certeza já muitos ouviram falar da famosa Guerra dos Navegadores, aquela famosa fase dos anos 90 em que Netscape e Internet Explorer jogavam ao braço de ferro numa constante tentativa de abocanhar a maior fatia do bolo. Com a vitória, considerada suspeita por muitos, da Microsoft neste setor, a empresa pôde respirar de alívio, pelo menos até pouco depois de 2004 - altura em que o Firefox entrou em jogo e reacendeu a chama desta guerra.
Consequentemente, de 2005 para a frente o market share do Internet Explorer foi caindo, de forma lenta mas quase constante, para um browser que a própria empresa desvalorizou. Em 2008, quando a Google lançou o Chrome, a situação começou a tornar-se mais séria. Anos passaram até que, em 2011, a Microsoft abriu os olhos e decidiu emendar a porcaria que havia feito. Surge assim o Internet Explorer 9. Era mau? Não de todo! Convenceu o mercado a mudar de opinião em relação ao nome "Internet Explorer"? Muito menos...

E eis que chegamos ao mercado mobile, em que a situação se repete de novo por insistência em bater naquilo que vou apelidar de "tecla do desleixo"...

 

O que acontece depois?

Convenhamos, a Microsoft nunca conseguiu fazer com que os Windows phones fossem vistos muito a sério no grande mercado. Ainda assim, alguns esforços pareciam estar a render frutos há poucos anos atrás, antes do nome Nokia deixar de fazer parte da família Microsoft. O Lumia 520, por exemplo, foi um grande sucesso tendo em conta as expectativas. A solução talvez seria mesmo investir essencialmente em smartphones low cost, onde o Windows consegue deixar o Android de lado com facilidade em termos de desempenho.

Estranhamente, perdeu-se o norte e os frutos que o Lumia 520 deram foram quase que desconsiderados. A chegada do Windows10 Mobile, que não viu a luz do dia em alguns dispositivos, foi mais uma má jogada da empresa que desperdiçou o grande buzz para jogar as cartas certas. E os dispositivos low cost? Eram cada vez menos colocados no mercado. Então, Microsoft?

 Não quero, de forma alguma, afirmar que o Windows nos telemóveis é mau. Longe disso, até considero ser o melhor sistema operativo móvel se excluirmos o iOS, para além de ter uma "personalidade" bastante própria, mas nas mãos da Microsoft nunca foi bem aproveitado.Este assunto daria, sem qualquer dúvida, pano para mangas, mas para já fico-me pela minha básica demonstração do quão desaproveitado eu sinto que este mercado foi.

Com a suspensão das vendas dos dispositivos Lumia, talvez teremos mesmo de esperar que um milagre estilo Surface aconteça neste setor da empresa. Não desistas Microsoft! Mas mantém os olhos abertos da próxima vez...