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Blog à solta

Textos de um estudante preso em Coimbra com a ambição de ser crítico de música

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Textos de um estudante preso em Coimbra com a ambição de ser crítico de música

Tradições não combinam comigo...

Estava eu, nestes últimos dias, a fazer scroll pelo meu feed no Facebook e a ver uma série de publicações no Instagram. Houve uma coisa em particular que me estava a causar uma ligeira impressão, na falta de melhor termo para descrever a sensação.
Daqui a poucos dias começa a Queima das Fitas de Coimbra e o Cortejo da Queima está ainda mais perto. Mas essa alegria, que parecia extravasar em tudo o que era post nas redes sociais, pouco passou da sensação em forçar um evento que não faz muito sentido aos meus olhos.

 

Não creio que seja novidade, para quem quer que me conheça minimamente, o facto de eu detestar Coimbra e o curso em que tive a infelicidade de entrar sem possibilidade de mudar.
Poucas semanas depois de fazer da "cidade dos estudantes" o meu dia a dia, logo senti que este não era o meu lugar. Vi-me bombardeado por frases, pensamentos, citações, todo um espírito de louvar a cidade, as suas tradições e costumes de forma cega e religiosa, sem espaço para questionamento sobre o porquê das coisas ou formas alternativas de as fazer - e eu sou pessoa de questionar tudo, especialmente quando me parece demasiado cliché ou, dito em português rasca, parolo.

 

O meu maior problema com a maioria das tradições, seja de que natureza forem, é que estas estão geralmente associadas a dogmas e irracionalismos que me deixam desconfortável. Não nego. Sou adepto de novas ideias, variedade e quebras, ou evolução, de paradigmas nem que seja para comprovar que algo não funciona.

Durante muito tempo tentei dar o benefício da dúvida e gostar de Coimbra, mas a pressão quase constante para comprar o traje e sentir, com a mesma intensidade que os restantes, o espírito académico fez com que me afastasse cada vez mais de sequer tentar.
Como alguém que chegou aqui com uma opinião completamente neutra em relação à cidade, desconhecendo completamente estas tradições, Coimbra agora pouco mais é que uma cidade ultra-romantizada presa na bolha do passado, que se recusa em abraçar realidades exteriores ao seu próprio umbigo, com a desculpa de ser tradição mesmo na mais insignificante coisa.
"Tem mais encanto" dizem...

 

Inicialmente referi o Cortejo da Queima das Fitas como um dos eventos que nada me dizem e que não fazia grande sentido. O porquê? Não sou adepto em dispensar do meu próprio dinheiro, que não iria ser pouco, na pretensão de me sentir realizado ao enfeitar um carro que mais tarde iria ser queimado e no final dizer "foi o melhor dia da minha vida!".

Tradições, de facto, não combinam comigo...

 

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